Guia de Cuidados

Somos professores, não terapeutas. Esse é um Guia de Cuidados para te orientar sobre como reagir a temas sensíveis que podem surgir durante a ligação, como violência doméstica,  uso de drogas e suicídio.

Este Guia servirá como um instrumento de orientações de como o professor deve prosseguir caso se depare com as situações listadas acima. Orientamos que o professor tenha o máximo de empatia com o aluno nesses momentos, para que assim a LigAção do Bem possa apoiá-lo da melhor forma possível.

E se um caso de violência doméstica for relatado?

Dialogue:

O maior ressentimento das crianças abusadas, principalmente meninas, é não serem acreditadas pela família. Ouça e dialogue sobre o problema com calma e atenção.

Construa uma rede de apoio:

Pergunte sobre as pessoas com as quais a criança está envolvida na ausência dos pais ou responsáveis no lar. A maioria dos atos de abuso intra e extra familiar ocorre quando a criança encontra-se a sós com jovens e adultos na própria casa ou na casa de conhecidos. Ajude a fortalecer as possíveis redes de apoio saudáveis no entorno dessa criança.

Crie vínculo de amor

Crianças bem-tratadas, criadas em um ambiente de segurança e confiança crescem sentindo-se dignas e aprendem a retribuir o afeto. Reforce aspectos positivos que ofereça segurança e conforto.

Além disso, também existem dois serviços de atendimento por telefone possíveis de serem informados: disque 100 e 180. O Disque 100 funciona como um canal de recebimento, encaminhamento e monitoramento de denúncias de violação de direitos humanos. O canal é um serviço especializado na proteção de crianças e adolescentes com foco em violência sexual. Já o Disque 180, que atua como uma central de atendimento à mulher em situação de violência, recebe denúncias e oferece orientações sobre direitos das mulheres e legislação vigente. Ambos os serviços são gratuitos e confidenciais.

Como lidar com relatos sobre pensamentos suicidas

Pratique a escuta ativa:

Antes de tudo, quando o assunto é suicídio, é importante manter a calma e ouvir com atenção. Procure entender os sentimentos da pessoa e transmita mensagens de aceitação e tolerância sobre a situação. Transmitir respeito em relação às opiniões e valores é fundamental. Busque sempre conversar de forma honesta e autêntica, demonstrando cuidado, preocupação e afeição. Por fim, focalize nos sentimentos da pessoa e demonstre empatia pela situação que ela vive.

Evite:

Tente ao máximo não interromper a pessoa com frequência ou demonstrar choque/emoção com o relato. Empatia também é fundamental, então não trate a pessoa de maneira que a coloque em uma posição de inferioridade. Além disso, tente não ser invasivo ou indiscreto.

O guia de cuidados também sugere o número do Centro de Valorização da Vida, o disque 188, que funciona como um canal especializado para prevenção do suicídio.

Como fugir do tabu falando sobre drogas lícitas e ilícitas?

DEBATE SEM PRECONCEITO

Evitar alarmismos é essencial no debate sobre uso de drogas psicotrópicas. É preciso criar estratégias para que o jovem entenda os efeitos dessas substâncias. Uma opção é tentar conversar de forma que o adolescente rejeite a droga por si só. Fale sobre outras opções de vida que também proporcionam prazer imediato, mas não são danosas, como esportes, arte e cultura.

SAÚDE E BEM-ESTAR

Uma estratégia para fugir do estigma sobre o assunto é abordar o uso de drogas na adolescência a partir de questões relacionadas a saúde e bem estar. Por exemplo, o cérebro do jovem, ainda em formação, é mais sensível que o do adulto em relação aos efeitos das drogas psicotrópicas. O uso prematuro e prolongado pode causar comprometimento cognitivo e queda na capacidade de concentração e aprendizado. Abordar esse tema pode atrair a atenção do adolescente e sensibilizá-lo sobre o assunto.

Indique os serviços do Disque 132 de apoio aos usuários de droga. O número oferece um canal de comunicação especializado sobre prevenção de diferentes tipos de drogas.

Como posso contribuir se ouvir relatos de fome?

Entenda a situação:

Caso seja relatado algum caso de vulnerabilidade social em relação a falta de alimentos em casa, é importante ouvir com atenção para você entender a situação que o estudante vive. Você só conseguirá ajudar de forma efetiva se estiver aberto a ouvir o problema.

Ofereça opções:

Após ouvir o relato, demonstre empatia pela situação e busque oferecer apoio através de redes locais. Elas podem ser o poder público ou outras iniciativas da sociedade civil. Secretarias de educação por todo o país estão oferecendo diferentes tipo de auxílio para estudantes.

Existem diversas iniciativas pensadas para a distribuição de alimentos a pessoas em vulnerabilidade nesse período de turbulências e incertezas.

O uso de kits ou cartões de alimentação são os mais comuns no Brasil. Reforçamos que o governo federal disponibilizou auxílio financeiro temporário para determinados grupos sociais. A sociedade civil também tem se movimentado através de inúmeras instituições, dentre as quais pode ser destaca a Central Única das Favelas (CUFA), que vem atuando em diversos bairros periféricos nos grandes centros urbanos. Recomendamos que, caso se depare com a situação em questão, busque informações sobre essas e outras iniciativas atuantes na região.

Esperamos que chegando aqui você se sinta preparado para fazer parte dessa ação...

A LigAção do Bem vem para reforçar que aprendizagem e conhecimento estão relacionado com desenvolvimento humano. Todos os desafios que a educação brasileira vem enfrentando não podem ser mensurados ou aparados com uma ligação. Mas é evidente que nesse momento a educação ultrapassa os muros da escola e se mostra como uma força social.